quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Breve história: As vitaminas


     Desde a Antiguidade que se sabe que ingerir este ou aquele alimento ajuda a curar certas doenças.Só mais recentemente se descobriu que é às vitaminas que se devem muitas ações de regulação, fundamentais para o nosso metabolismo.
  No entanto, os antigos Egípcios já sabiam que a cegueira noturna se combatia dando fígado aos doentes – ou pondo compressas de fígado sobre os olhos. Há dois mil anos, o famoso médico grego Hipócrates já recomendava a ingestão de fígado para tratar a cegueira noturna. Em 1913, num estudo experimental , foi descrito que animais com xeroftalmia (secura dos olhos) a curavam comendo gema de ovo, leite, manteiga e óleo de fígado de bacalhau. Na guerra mundial de 1914 a 1918, a xeroftalmia era causada pela falta de manteiga na alimentação.A descoberta das propriedades "curativas" de certos alimentos ocorria (tal como hoje) quando se via que, comendo um determinado alimento, os sintomas (os sinais) da doença desapareciam.
      Isso acontecia com doenças que afectavam os olhos, que melhoravam comendo fígado (que tem muita vitamina A), com o escorbuto, cujo aparecimento era prevenido pelo consumo de citrinos (que têm muita vitamina C). Esta última descoberta ocorreu já no século XVIII.A partir de 1880 que ficou provado, em vários casos, pela experiência, que comer arroz com casca ajudava a prevenir o beribéri e que esta era, portanto, uma doença nutricional.
     Em 1912, o bioquímico polaco Kazimierz Funk, ao isolar o elemento que o médico William Fletcher pressentira ser importante no arroz, decidiu chamar-lhe "vitamina" – composição de vita ("vida" em latim) e amina (um sufixo que designa o grupo químico das aminas que constituem, por exemplo,os aminoácidos).Mais tarde descobriu-se que nem todas as vitaminas são "aminas", mas o nome ficou.
      A primeira vitamina a ser descrita foi a vitamina A. Mais tarde foi identificada a vitamina B, que se verificou ser composta por diversos elementos: assim surgiu o "complexo B", que agrupa as vitaminas B1, B2, B6, B12, ácido fólico, niacina, ácido pantotênico, entre outros.
     Há "antigas" vitaminas que deixaram de o ser, como sucedeu com a vitamina F, que se descobriu não ter na sua composição o grupo amina.Há também vitaminas que são mais conhecidas por outras designações, como o ácido fólico (em vez de vitamina M) ou a niacina (em vez de vitamina PP).
    Para rematar, lembramos que as vitaminas são absorvidas pelo nosso corpo, mas não são por ele produzidas, à exceção da vitamina D, que é sintetizada pelo organismo (a uma escala limitada), e das vitaminas B12 e K, que são sintetizadas (pela flora bacteriana) no intestino.A preparação dos alimentos, como a cozedura, o descascar (caso a caso, claro) fazem com que se percam vitaminas nos alimentos. A cozedura provoca perdas devido às altas temperaturas (sobretudo se houver ebulição) e o descascar proporciona a oxidação de alguns compostos.
      A vitamina C e as vitaminas do complexo B, por exemplo, que são hidrossolúveis (diluem-se em água), perdem-se pelo vapor ou pela própria água da cozedura. Um facto que vem reforçar o valor nutritivo da sopa.As vitaminas são sensíveis a alterações de calor, umidade, luz, presença de oxigênio e deficiências do armazenamento.

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